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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Dias de Nietzsche em Turim - Um filme de Júlio Bressane


Dirigido por Júlio Bressane e assinado em conjunto com a sua esposa Rosa Dias, prof. de Estética da UERJ, o filme, Dias de Nietzsche em Turim (2001) foi uma tentativa ousada e feliz de recriar os anos da estada do filósofo na cidade de Turim. Período correspondido entre os meses de abril de 1888 a janeiro de 1889. Uma de suas obras mais famosas, a saber: Ecce Homo (1888)Crepúsculo dos Ídolos, ou Como Filosofar com o Martelo (1888) e Ditirambos de Diónisios (1888) foram engendrados durante o tempo de sua permanência nesta cidade. O filme trás no papel do filósofo Friedrich Nietzsche (1844-1900), Fernando Eiras. O elenco original é, também, composto por: Paulo José como David Fino, Tina Novelli (Cândida Fino), Mariana Ximenes (Julia Fino), Leandra Leal (Irene Fino), Paschoal Vilaboin (alfaite) e Isabel Themudo. Dias de Nietzsche em Turim não é um filme cuja composição desemboca na natureza de explicar todo o pensamento do filósofo. O que se quer na verdade é mostrá-lo em sua total humanização filosófica e artística. Discorrer pelo corpus do pensamento de Nietzsche por via de uma produção cinematográfica não é tarefa fácil e como nunca será. Bressane propõe, aqui, figurar algumas ideias e, ao mesmo tempo, fomentar discussões de caráter imprescindível no transcorrer de sua produção. Ao menor conhecedor de Nietzsche. Talvez seja essa a proposta. Aguçar a curiosidade
para, em seguida, alimentar a necessidade de conhecê-lo. Bela é a maneira como Bressane amarra as imagens em total harmonia com as palavras do próprio Nietzsche. Percebe-se a preocupação do diretor em transportar a plateia a imaginar como, realmente, seria o instante em que Nietzsche estivesse escrevendo e, ao mesmo tempo, vivendo no momento do estopim de suas criações. O filme começa com uma gradiosíssima exaltação de Nietzsche a cidade de Turim, destacando a beleza clássica das artes, da arquitetura, do clima e da riqueza que gira em torno de sua história. A sua ruptura com até então amigo e músico, Wilhelm Richard Wagner (1813-1883), é, também, evidenciado. Bressane tenta explicitar Nietzsche
e a sua filosofia em meio a sua paixão pela música, pela estética, pela mitologia e por sua grandiosa erudição. Percebe-se como o diretor se apropria do ambiente nostálgico, para mesclar com as imagens do filósofo em um universo que nos transporte a toda essa áurea que gira em torno de suas ideias. A voz do filósofo parece ecoar a cada palpitante cena tornando, assim, tudo, inclusive a arte, muito real. "A arte, diz Nietzsche, e nada mais que a arte. A arte torna a vida possível. É a grande sedutora da vida, o grande estimulante da vida. A arte como a única força de resistência superior contra toda a forma de negação da vida. Como via de acesso a estados onde o sofrimento é querido, transfigurado, divinizado. Onde o sofrimento é uma forma de grande prazer." Portanto, entendendo o sofrimento não como um mal em si, senão como um mal necessário. Muda-se dessa forma, então, toda e qualquer perspectiva negativa do sofrimento. O sofrimento deve ser encarado como um meio de aprendizado para toda e qualquer tentativa de melhoramento da vida. Pois, "Aquilo que não me mata - diz o filósofo -, só me fortalece." Bressane consegue com isso construir em seu filme um belo apanhado do que compõe o pensamento do filósofo. Torna-se, então, um excelente meio didático para discutir Nietzsche e sua trajetória filosófica. Termino aqui. Um abraço a todos e espero que gostem. Até a nossa próxima postagem.

Dias de Nietzsche em Turim (2001) 4/8
Veja, aqui, passagens que melhor resumo as suas ideias

11 comentários:

  1. Jóia, Maxwell, gostei muito.

    Só noto o seguinte: Quando Nietzsche Chorou é um filme recomendável para quem não conhece o filósofo, Dias de Nietzsche em Turim costuma ser muito mal recebido pelos não-iniciados (vc deve ter visto aí pela web).

    Abs do Lúcio Jr!

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  2. Nossa! Depois disso tudo tenho que assistir esse filme já.Maravilhoso tudo que postou aqui sobre Nietzsche. " O sofrimento como mal necessário" "Aquilo que não me mata só me fortalece"Temos que lembrar sempre! não é?
    Querido amigo, Feliz Ano Novo!! Luz na tua vida e família...bjs

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  3. Olá Maxwell,bela escolha. Realmente,um filmaço. Interessante como Nietsche ao definir arte mostra seu espírito irrequieto, uma índole romântica,emotivo... não é? Próprio mesmo de um pensador.
    Obrigada por sua visita e por sua gentil saudação.A recíproca é verdadeira. Desejo a você e a todos os seus um Novo Ano repleto de realizações, com paz e alegria. Ah... e uma safra de bons filmes para que possamos ler suas excelentes sinopses. :)

    Um abraço, Maxwell.

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  4. Olá, Lúcio. Mais uma vez obrigado por suas palavras. Seus comentários muito engrandece nosso espaço. Um abraço...
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    Oi, Ana. Sua presença, aqui, é sempre muito agradável. Sinto verdade em suas palavras. Você fala com o coração. Um abraço, Ana. Espero continuar a vê-la. Até...
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    Querida Lau,
    Que bom revê-la. Você é muito especial. E saiba que é recíproco, também, o nosso carinho. Um abraço.

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  5. Não conhecia esse filme. Vou procurar vê-lo. Maxwell, um feliz 2012 pra você! Que seja uma ano de muitas relaizações! Abraço!

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  6. Excelente post hein Maxwell. Ainda não conheço o trabalho do Bressame mas isso é só uma questão de tempo.
    Grande abraço Maxwell.

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  7. Oi, Maxwell :) Eu não conhecia essa produção cinematográfica. Ainda mais com Fernando Eiras no papel principal! É um ótimo ator. :D

    Não deve ser mesmo fácil produzir um filme com um contexto tão amplo, mas pelo o que li, deu certo.

    A arte fascina. Mas... Tudo tem os dois lados da moeda.

    Bjs ;)

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  8. Olá,Fábio. A respeito deste filme, vale a pena vê-lo. Um abraço...
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    Obrigado,companheiro. Penso que você vai gostar.
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    Oi, Ana. Fernando Eiras está fantástico. Você vai gostar.
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    Feliz Ano Novo a todos!!!

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  9. Estou aqui retribuindo a visita e o comentário agradável que você deixou no meu blog. Mas não poderia deixar de parabenizá-lo por este espaço. A proposta é maravilhosa. E o que falar de Nietzsche, bem como desse filme, não é? Assisti a essa produção há algum tempo e considerei muito interessante a possibilidade de acompanhar os instantes vividos por ele em Turim. Muito bom poder visualizar alguns dos momentos chave do grande Nietzsche.

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  10. Olá, Rivângela. Seja bem-vinda. Obrigado por seu excelente comentário. Um produção cinematográfica a respeito de Nietzsche não é uma tarefa fácil. Júlio Bressane fez proeza. Um abraço...

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