O termo latino Sapere Aude - Ouse Saber - traduz a essência de todo conteúdo deste blogger. Nosso desejo, aqui, é ajudá-lo a mergulhar em ideias que produzam um bem estar de prazer nesse imensurável mar de conhecimento. Logo, contribuiremos da melhor maneira possível para que indivíduos sejam “libertados das suas cadeias e curados da sua ignorância” – como imaginava Sócrates. Portanto, saia da caverna, AGORA, e aproveite o máximo que puder. Um abraço...

FlashVortex.com

domingo, 22 de maio de 2016

12 anos de escravidão: um filme de Steve McQueen


12 anos de escravidão (12 years a slave 2013), do diretor Steve McQueen, é um longa feito em parceria com a Iglaterra e USA cuja temática é a escravidão. Baseada em uma autobiografia escrita por Solomon Northup em 1853. Sua obra evidencia todo seu sofrimento após ser vendido como escravo mesmo sendo já um homem livre na cidade de Saratoga Springs em Nova Iorque. O filme começa com a visita de dois homens,  Brown (Scoot McNairy) e Hamilton (Taran Killam). Ambos o ludibriam  afirmando que precisariam do seu trabalho como músico violonista por nada mais do que duas semanas sob a promessa que receberia ao término dos serviços um bom dinheiro em Washington, DC, O engodo não passou de uma estratégia brutal e doentia afim de  comercializá-lo como escravo. Do dia para noite, Solomon Northup (Chiwetel Ejiofor), acorda na proprie-
dade de James Burch, um fazendeiro que o envia para Nova Orleans, Luisiana onde é comprado por William Ford (Benedict Cumberbatch). Não demora muito, em consequências dos crescentes problemas que começa a existir na vida de Solomon, para que seu atual dono precise vendê-lo afim de salvaguardar a sua vida. É dessa forma que, mais uma vez, ele segue para outra propriedade do fazendeiro e plantador de algodão, Edwin Epps (Michael Fassbender). Nesta fazenda Solomon Northup vive os anos mais terríveis de sua vida juntamente com os demais ne-
gros. O longa revela, por sua vez, uma atrocidade tamanha na relação Senhor - escravo. O abuso de poder, ignorância, preconceito, estupro, morte e tantas outras maneiras de manipulação e dominação patológica aparecem neste filme. Impossível não se revoltar contra tudo que acontece no decorrer do longa. É preciso ter "sangue de barata" para não ficar, no mínimo, com mal-estar. 
A impressão que se sente é que o filme foi feito para constranger a quem ainda teima em insistir neste tipo de conformidade. 12 anos de escravidão é uma empreitada pesada, tensa, dolorida e de caráter reflexivo. Faz-nos pensar se, por um acaso, alguma coisa mudou, nos dias de hoje, apesar de todo triste ocorrido. Não falo, aqui, de maneira literal, claro. Mas, há outros modos de opressão e abuso social que possui suas raízes muito bem fixadas em nosso solo de chão batido, como por exemplo: baixos salários, altos impostos, violência contra a mulher, locais sem saneamento público, sem hospitais, sem educação e por aí vai. Se isso, também, não for entendido como exploração não sei mais o que seria. Portanto, espero que tenha gostado e até a próxima.


12 anos de escravidão (2013) - Trailer






quarta-feira, 11 de maio de 2016

Os Croods (2013): Um filme de Kirk DeMicco e Chris Sanders

"Vocês precisam ver isso."

Os Croods (The Croods, 2013) é mais uma daquelas animações que surpreende e, por sua vez, nos faz pensar em assuntos de grande valia como, por exemplo: política, biodiversidade, senso comum (opinião), senso crítico (consciência política e filosófica) e um belo espanto  pela natureza. Este longa de animação trás em seu elenco: Nicolas Cage na voz Grug Crood, o pai da família. Grug se desteca pela sua natureza tacanha e irredutível  a mudança. Thunk Crood (Clark Duke), o filho adolescente desprovido, um pouco é verdade, de um bom entendimento das coisas. Emma Stone, a filha, também adolescente, de Crood, Diferente do pai ela revela, sim, olhar mais crítico da realidade e um despertar para um grande espírito livre no tange a vontade de conhecer o mundo além do próprio "mundinho".
A luz exterior em contraste com as
sombras do caverna
.
Quem parece acompanhar a filha, na mesma intensidade, mas, com ar de moderação diante dos faltos é a mãe 
Ugga Crood  (Catherine Keener) esposa de Grug. Com eles segue o pequeno Sandy Crood (Randy Thom) um bebezinho atordoado e feroz bem fora dos padrões convencionais (?). No papel da sogra de Grug se encontra Cloris Leachman, responsável por momentos bem divertidos no longa. E, por último, Guy (Ryan Reynolds) um garoto que não faz parte do clã dos Crood e se revela como um espécie de ser norteador para mudanças de atitudes dos membros da família Crood. O longa se desenvolve todo na tentativa de ver o mundo por meio de outra perspectiva. Não mais aquela percepção enclausurada, literalmente, dentro de uma caverna, senão fora dela. Eis, aí, então, a
grande sacada do filme. A diversão é só mais um elemento de puro entretenimento. O que se encontra por trás de tudo isso é, na verdade, a ideia de que se continuarmos vivendo condicionados a pensamentos retrógrados repletos de insegurança e medo não conseguiremos alçar voos maiores. O novo sempre nos causará espanto. O diferente no aterrorizará. O contrário disso, ou seja, contemplar o mundo e abrir os poros da consciência é uma atitude que nos catapulta para uma espécie de Universo expansivo. A descoberta além da caverna é o ápice desta bela animação. Bem pedagógica. Assim a definimos. Um abraço e até a próxima...
 
Os Croods (2013), trailer oficial.

terça-feira, 10 de maio de 2016

Punk Rock Jesus: Sean Murphy

Vertigo (40 a 46),
Panini Comics.
Minissérie em seis capítulos pelo selo da Vertigo, DC Comics, escrita e desenhada por Sean Murphy, Punk Rock Jesus, trata de temas polêmicos, a saber: religião, política e ética. Temas que sempre serão alvos de grandes discussões. A história tem como pano de fundo a elaboração de um projeto audacioso: produzir um clone do próprio Jesus extraído do Santo Sudário de Turim. É isso mesmo que você leu! O palco para que isto aconteça ocorre nas dependência de um reality show engendrado pela OPHIS, uma espécie de produção sensacionalista. Objetivo: escolher uma jovem virgem (Gwen Fairling),
introduzir em seu útero o DNA do suposto Cristo e anunciar após 9 meses a nova chegada do Messias (Cris). Por trás de tudo isto se encontra o não menos inescrupuloso Slate, o mentor do projeto, Dra. Sarah, geneticista famosa responsável pelo clone, Thomas.ex-terrorista do exército republicano irlandês - IRA, e, por último, Tim, assistente técnico de Slate. De cara, na primeira leitura, já se percebe o tumulto por parte de grupos acadêmicos, com as discussões éticas, e cristãos, com a temática religiosa do pecado e profanação para alguns e vinda profética abençoada do Messias para outros. Loucura, loucura diria Luciano Huck. Pois é. Eis ai, então, uma excelente hq para quem gosta de uma leitura mais substancial e, também, divertida. Destaque para o roteiro, bem cadenciado, e arte, simplesmente belíssima em preto e branco. Vale a pena conferir... Um abraço e até a próxima. 

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Dinastia M: Brian Michael Bendis & Olivier Coipel

Dinastia M (2006), Escrita por Brian Michael Bendis e desenhada por Olivier Coipel, é uma leitura indispensável para quem já ler quadrinhos a muito tempo ou para quem nunca se aventurou a começar a desfrutar desta arte. A história, na verdade, promoveu uma revolução no Universo da Marvel. Heróis morreram, outros renunciaram, outros perderam seus poderes e por aí vai. Tudo começa quando Wanda Maximoff (Feiticeira Escarlate), filha de Magneto, e irmã de Pietro resolve, então, alterar toda a realidade dos Vingadores transformando tudo em um caos total. O medo, a insegurança e pânico reinavam de forma absoluta. Sem ter como conter o surto da Feiticeira e não sabendo como detê-la nasce a possibilidade, por vias dos Vingadores, de matá-la. As questões morais assumem o seu papel na medida que tal ato seria uma contradição diante dos ideias destes ou de alguns. A história se processa de forma impactante. A arte é fabulosa e o roteiro de Bendis é fantástico. Destaque para Wolverine, que aparece, aqui, como membro dos Vingadores. O universo dos X-Men e Vingadores se encontram na trama. Portanto, para uma leitura repleta de ação e, que daria um belo filme, fica a dica de leitura. No mais um abraço e até a próxima.

sábado, 15 de agosto de 2015

Superman Solo: J. M. Straczynski

Superman Solo, dividida em 11 partes num total de 4 publicações mensais pela Panini de novembro de 2011 a janeiro de 2012 e escrita por J. M. Straczynski com desenhos Eddy Barrows, é uma das mais belas histórias a respeito do Homem de Aço. O autor, Straczynski, apostou na ideia de trazer para o grande público dos quadrinhos uma percepção mais humanizada do Superman. Revelou com isso toda as suas fragilidades, angústias, medos e crises pessoais. Straczynski aproveita para revelar um contexto social e político dos EUA, a saber: o desemprego, a falta de moradia, a criminalidade, a imigração, o suicídio, os protestos e toda a problematização existente no contexto da nação americana. Portanto, Superman Solo é uma leitura para se fazer com muita atenção. A linguagem empregada se apropria de argumentos que dialogam ora com a Filosofia ora com a Sociologia. Para você que gosta de quadrinhos e de uma leitura inteligente fica, aqui, então, a dica. Até mais...

sábado, 1 de agosto de 2015

Sniper Americano: um filme de Clint Eastwood


Sniper Americano (American Sniper, 2015). dirigido por Clint Eastwood, é um filme baseado em uma história real. Chris Kyle (Bradley Cooper) é um idealista americano que se alista às forças especiais da marinha americana para combater o terrorismo no Iraque logo após os atentados de 11 de setembro de 2001. O filme é carregado de uma tensão constante em que vida e morte andam de mãos dadas. Em meio a toda esta aflição Chris Kyle segue, juntamente, com todo o pelotão para o campo inimigo afim de abater todo e qualquer suspeito que coloque em risco todo os demais soldados. Sempre em uma posição estratégica Chris Kyle, "o atirador mais letal do da história dos EUA", abatia um por um no intuito de salvaguardar a vidas dos seus companheiros. No entanto, nem tudo é tão simples quanto parece. Ele, o sniper americano, era responsável
por escolher a quem devia viver ou morrer. Segundos eram cruciais no apertar do gatilho. A escolha era, talvez, a mais angustiante das mais angustiantes. É neste pegada, então, que o longa se processa repleto de momentos desesperadores. As cenas de ações são de arrepiar e a vida, tão sutil, parece escorrer por nossas mãos como algo fluído que se esvai. Sniper americano é um filme que nos leva a pensar sobre a brevidade da vida, as escolhas que fazemos diante de nossa própria existência, a implicação destas escolhas na vida do outro, a ideologia política que mascara a violência como ideal de justiça, as consequências da guerra na alma de quem foi e dos parentes que aqui ficaram. Portanto, se você busca ver um excelente filme para refletir sobre a responsabilidade que temos mediante as nossas ações, frente a tudo e a todos, não deixe de conferi-lo. Sem esquecer, é claro, do julgamento que se faz a este tipo de soldado mediante a guerra: herói ou assassino? No mais um abraço e até a próxima...

Trailer Oficial: Sniper Americano (2015)

domingo, 26 de julho de 2015

Caminhos da Floresta (2015): um filme de Rob Marshall

Caminhos da Floresta (Into the Woods, 2015), um filme dirigido Rob Marshall e roterizado por James Lapine, trás em seu elenco Meryl Streep no papel da bruxa, Emily Blunt como a mulher do padeiro, James Corden como o padeiro, Anna Kendrick (Ciderela), Chris Pine (o Príncipe), Lilla Crawford (Chapeuzinho Vermelho), Daniel Huttlestone (João), Tracey Ullman (Mãe de João), Christine Baranski (Madrasta de Ciderela), Mackenzie Mauzy (Rapunzel), Billy Magnussen e Johnny Depp como o lobo. Caminhos da Floresta, o filme, é baseado em uma musical da Broadway escrito por Stephen Sondheim. A trama do filme gira em torno de um casal (o padeiro e sua mulher) que não tem filhos. A razão desta ausência é motivada por uma maldição lançada pela bruxa engendrada pelas ações passadas do
do pai do padeiro. Para que a maldição seja quebrada o casal deve cumprir determinadas metas, e trazê-las a bruxa para que esta recupere a sua beleza, são elas: uma vaca branca que produza leite, uma capa vermelha como sangue que remonta a Chapeuzinho Vermelho, o cabelo amarelo da cor de milho que remonta da Rapunzel e um  sapato puro como ouro que remonta a Cinderela. É nesta "missão" que o casal parte em busca de realizar o que, a princípio, os farão felizes: ter um filho. Por outro lado os demais personagens da trama buscam, ao seu modo, também se-
rem felizes. Chapeuzinho Vermelho deseja levar os doces a vovozinha. No entanto, há um outro sentimento que subjaz no coração da menina; João deseja que a vaca produza leite. Este revela, também, em suas escolhas a vontade de ascender socialmente em meio aos seus de forma ilícita; Cinderela deseja ir ao festival onde a família real e, principalmente, o príncipe estaria. Rapunzel espera, pacientemente, a presença de um outro príncipe que faz parte de seus sonhos e, por último, a bruxa que deseja se tornar jovem. Para Schopenhauer (1788-1860), filósofo alemão, existe uma espécie de Vontade Absoluta que nos rege como força infinita. Esta Vontade que sobrepõe a vontade humana que alimenta o desejo que, por sua vez, se configura como algo infinito, ou seja, impossível de ser superado. Daí que desejar é uma volição perene que não se satisfaz, simplesmente, pelo desejo realizado. Este motiva outros desejos que, por sua vez, outros e mais outros. Para o filósofo o recurso para aplacar a dor seria em não desejar. O difícil é imaginar como seguiríamos viver sem o Desejo. Talvez encontraríamos resposta no âmbito do equilíbrio aristotélico da justa medida? Para o filósofo Platão (nasceu em Atenas na Grécia, provavelmente nos 1428/427 e morreu 348/347 a.C.) o prazer, o desejo e as demais coisas que nos conduz a posse se encontra, por sua vez, na busca e não no achado. Amar e desejar o que já tem é para este um paradoxo. Qual receita, então, nos daria o filósofo para continuarmos buscando o que já possuímos? Os personagens deste longa
são caracterizações fidedignas de que, realmente, há uma força volitiva no Desejo que é própria de cada Indivíduo e, portanto, negá-lo seria negar a si mesmo. O desejo pelos bens materiais, ascensão social, as mulheres que esperam seus príncipes, outras que querem ser jovens e as que querem ser, simplesmente, mães. Desejar, desejar e desejar. Eis, então, a temática deste longa. Este universo do desejo, mesmo que subjetivo, quando verbalizado alcança sensações estratosféricas. Não é à toa que uma das frases mais relevantes do longa seja esta: "Cuidado com o que deseja". Saber como conduzi-lo é outra história... Detalhes para os contornos da mente feminina que aparecem no transcorrer de toda trama desde as mais jovens até as de mais idade. Ademais destas referências há outras que dialogam com diferentes temáticas como, por exemplo: a relação familiar que é eixo importante a ser observado. Portanto, espero que tenham gostado e até a próxima.


Trailer Oficial: Caminhos da Floresta (2015)