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sábado, 14 de julho de 2012

Vergonha - Um filme de Ingmar Bergman


Dirigido pelo diretor sueco Ingmar Bergman, o filme, Vergonha (Skammen, 1968), trás em seu elenco principal: Max Von Sydow como Jan Rosenberg e Liv Ullmann no papel de Eva Rosenberg. O filme conta a história de um casal de músicos, casados há 7 anos - Jan, violoncelista, e Eva Rosenberg, violonista - que vão morar em uma ilha. E é ao som de uma saraivada de metralhadoras, de rádios e vozes humanas, antes do início da primeira cena que, assim, começa o filme. Apesar de ser um filme que, como pano de fundo, aborda os conflitos existentes da 2ª Segunda Grande Guerra e os efeitos indeléveis na natureza dos indivíduos, Bergman, o diretor, da ênfase, também, a principio a música, talvez, como uma janela de escape para as dores vividas entre Jan e Eva, o casal de músico. Fica claro, aqui, na fala de Jan a Eva, a influência da música, quando ele diz: "Sabe o que eu sonhei? Sonhei que estávamos de volta à orquestra, sentados lado a lado ensaiando o Concerto de Brandenburgo n. 4, o movimento lento e tudo que estávamos vivendo fazia parte do passado. Apenas lembrávamos disso como um pesadelo. Acordei chorando." Há 4 anos vivendo na ilha passaram a comercializar com frutas silvestres que vendiam na cidade. E foi por intermédio de um dos homens da região, o Sr. Filip (Sigge Fürst), que diz haver
escutado no rádio que tropas inimigas estavam prestes a invadir a ilha. A notícia desetabilizou o casal até que os fatos se confirmaram e o local, realmente, sofreu de maneira repentina com ataques aéreos e terrestres. Mais bombas. Eles resolvem fugir. No caminho só morte e destruição. Desesperados eles retornam a casa. Passado alguns dias eles são presos e acusados de colaborarem com o inimigo. Até que o Coronel Jacobi (Gunnar Björnstrand) decide libertá-los alegando, mais tarde, que a prisão temporária serviu, apenas, de exemplo para os outros. A libertação do casal serviu de álibi para que Jacobi pudesse visitá-los. Esta aproximação física desembocou, também, em um encontro afetivo com Eva levando Jan ao desespero e a uma profunda sensação de inoperância. E é em meio a esse emaranhado de situações constragedoras e de uma profunda crise emocional que Jan vai negligenciado o seu respeito pelo outro, culminando em um ódio sem medida. O diretor vai mostrando aos poucos como a guerra animaliza o homem, brutaliza a consciência e petrifica a alma e leva o mais simples indivíduo a imprimir ações que em outros tempos, talvez, não o fizesse. A vida é banalizada e matar passa ser algo natural e necessário. Jan movido pelo instinto de sobrevivência vai juntando o que ele pode levar consigo e disposto a tudo para continuar vivo ele parte com Eva. E como dois zumbis vagando em direção ao Nada, aos poucos vão se distanciando da ilha. Eva mesmo que presente tem a sua ausência sentida por Jan que, agora, a ignora. O vazio, agora, está posto e a morte é só uma questão de tempo. Forte, tenso, vertiginoso, frio, doloroso e tantos outros adjetivos poderiam compor este filme como um dos mais reflexivos e verdadeiros de Bergman. Portanto, espero que gostem. Até a nossa próxima postagem. Um abraço...

6 comentários:

  1. Belo texto....arte apaixonante......

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  2. Magico esse seu espaço.
    Delícia de viagem, ja seguindo para não perder o rumo.
    Bjs

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  3. Nossa amigo, que filme impressionante, vai fundo na crueldade de uma guerra e a destruição em todos os níveis, material e humano.Maravilhosa sua narrativa, desperta nossa compreensão e curiosidade de ver o filme na hora.
    Quanto as músicas, adoro todas,clássicas, como também as bandas R.E.M e Keane, você sim amigo, tem muito bom gosto e refinamento em tudo.Que bom que gostou do "Rei Leão" fiz pensando na minha sobrinha Mariana que passava o dia inteiro assistindo encantada com a maravilhosa história, e eu também...Uma semana cheia de luz e Paz! bjs
    Ana

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  4. Maxwell,pena que conclui a leitura da sua impecavel sinopse. Me senti dentro do movie, tamanho o envolvimento do texto.Amei!!! Ainda nao assisti , mas pretendo ...e o mais rapido possivel.

    Obrigada por sua gentil visita e seu comentario sensible e poetico.:)

    _desculpe -me pela falta de acentos.

    Um grande abraco pra voce.

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  5. Acho que se em algum momento resolvesse fazer uma lista com os melhores filmes do Bergman, esse com certeza estaria nela. Começando, novamente, pelo elenco. Não tem como se decepcionar com Max von Sydow e Liv Ullmann, é impossível. É redundante dizer que este filme é ótimo, e que os temas abordados sempre surpreendem, até mesmo os que estão acostumados com o trabalho de Bergman. Mais um post fantástico!

    *Aproveito pra agradecer os comentários em meu blog. Fico extremamente lisonjeada com suas palavras. E espero que o problema com os comentários já esteja resolvido. Fique ciente, pessoas como você fazem todo meu trabalho valer a pena!

    Abraços!

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  6. Olá, Renato. Concordo com você. Volte sempre amigo...
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    Oi, querida. Seja, então, bem-vinda. Um abraço...
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    Olá, Ana. Obrigado pelas palavras. Sua gentileza não tem tamanho. Fico feliz que tenhas gostado. Obrigado de coração. Um forte abraço...
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    Oi, Lau. Que revê-la, aqui. Fico, também, feliz que tenhas gostado deste filme. Vale a pena conferí-lo. Um abraço...
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    Olá, Rubi. Concordo com você, amiga. Nestes dias estava falando com um professor amigo meu e na oportunidade disse que entre os dez mais de Bergman não teria como olvidar deste. Obrigado pelas palavras, Rubi. Você como sempre muito gentil em tudo. Obrigado mesmo. Até...

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