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domingo, 4 de novembro de 2012

O Sorriso de Mona Lisa - Um filme de Mike Newell


Dirigido por Mike Newell, O Sorriso de Mona Lisa (Mona Lisa Smile, 2002), o filme, trás no seu elenco principal: Kirsten Dunst no papel de Betty Warren, Julia Stiles como Joan Brandwyn, Maggie Gyllenhaal como Giselle Levy e, por último, Julia Roberts no papel de Katherine Watson. Ambientado na década de 50, O Sorriso de Mona Lisa, conta a história da professora Katherine Watson, natural da Califórnia, que consegue uma vaga para lecionar História da Arte em uma das mais tradicionais escolas femininas em Massachusetts nos Estados Unidos - A Wellesley College. Decidida a fazer a diferença e produzir em suas alunas uma postura crítica diante do real, a
professora Watson já de início encontra obstáculos que, a princípio, dificultaram o seu trabalho. Em seu primeiro dia de aula ela é afrontada por algumas alunas soberbas que tentam a todo custo constrangê-la com respostas frias e objetivas a respeito do conteúdo do curso, parte integrante do Currículo da Wellesley College, Introdução à História da Arte, da apostila desenvolvida pelo Dr. Staunton (Terence Rigby). Ao término da aula, a Sra. Watson é chamada pela direção para explicar a razão da sua falta de segurança e atitude em sala de aula. Constrangida pela falta de apóio da direção e indiferença de algumas alunas, Katherine Watson tenta encontrar forças em seus ideais para continuar lutando pelo que mais acredita - a transformação pela educação. E movida por este espírito de liberdade ela entrou, pela segunda vez, em sala de aula. Com um conteúdo distinto do programa da apostila - a qual as alunas estavam acostumadas a seguir sob a orientação fria de um Currículo tradicional que
não fomentava a crítica e muito menos a reflexão, senão o simples ato de decorar - a professora Watson surpreendeu a todas com uma obra, a saber: Carcaça de Chaïm Soutine (1893-1943). E olhando bem para as alunas ela disse: "Não há livro texto lhes dizendo o que pensar. (...) O que é arte? Quando uma obra é boa ou má? E quem decide? (...) Olhem além da tinta. Vamos abrir nossas mentes a idéias novas". Esse era o objetivo da Sra.Watson: abrir as mentes a ideias novas. A mudança da educação tradicional para uma educação libertadora em que privilegia a autonomia do indivíduo frente as imposições socais, culturais, políticas e religiosas fica claro na fala e nas atitudes da professora. E é nesse compasso que o diretor e roterista, Mike Newell, constrói com leveza, doçura e auto grau de senso político a figura do pedagogo que não vive em conformidade com o seu tempo, mas busca a cada instante a possibilidade de mudança frente a um sociedade educacional mesquinha e estática. A educação aparece, aqui, como aspecto de transformação das vidas e da própria sociedade. Como uma mulher a frente de seu tempo, a Sra. Watson foge de todos os convencionalismo: solteira, independente, intelectual e livre. Características impensáveis para uma mulher em plena década de 50. Época em que as jovens eram educadas para seus maridos e para um bem sucedido casamento. Era, apenas, no casamento que residia o sentido de toda a existência das alunas da Wellesley College. E contra todo esse legalismo e arbitrariedade educacional que a professora Watson se impôs. O filme trás, também, a presença de duas mulheres, a saber: Nancy Abbey (Marcia Gay Harden) - professora de oratória, elocução e postura - e Amanda Armstrong (Juliet Stevenson) enfermeira da instituição. A primeira era um protótipo fidedigno de uma mentalidade tacanha que fomenta nas alunas a vontade de serem simples mães de familia. A segunda, considerada por muitos subversiva era lésbica e destribuia contra-
ceptivos às alunas. Fato esse que lhe rendeu a sua exclusão da instituição. É neste universo que a Sra. Watson se vê envolvida e tendo, a sua maneira, que lutar contra toda e qualquer arbitrariedade. A sua primeira oportunidade foi com uma de suas alunas, a jovem Joan Brandwyn, após ter lhe dado uma nota C por um ensaio sobre Bruegel (1525-1569). A alegação da professora é que a Sra. Brandwyn plagiou Strauss um perito em Bruegel. O problema não
consistiu em ler o perito, mas em reproduzir tudo exatamente o que ele diz. Pensar por si mesma sem a interferência total de um outro é um exercício que a professora deseja incutir em sua aluna. Um dos pontos máximos do filme foi quando a Sra. Watson levou suas alunas para um espécie de galpão, fora da tradicional sala de aula, onde estava um quadro do pintor americano e expressionista abstrato - Jackson Pollock (1912-1956). A aula consistia em, simplesmente, admirar o quadro. Eis, então, as palavras da professora: "Só precisam apreciá-lo. É a sua única tarefa hoje. Quando acabarem, podem ir". As inovações da
Sra. Watson continuam. Agora, com uma aula sobre as técnicas de pintura empregadas por Vincent Willem van Gogh (1853-1890). A aula consistia em conduzir as alunas a pintarem os Girassóis de Van Gogh, cada uma a sua maneira. O objetivo era fazê-las serem elas mesmas. Serem livres em suas escolhas. No entanto, apesar de toda a boa vontade da professora Watson havia uma aluna, em especial, a jovem Betty Warren - de família nobre, casada e contrária a nova docente - que redige um manifesto acusado-a de ser subversiva, contrária as tradições do matrimônio e os bons costumes. Logo, após a publicação, a professora vê de uma hora para outra todo o seu projeto pedagógico ser mal interpretado. O conselho resolve, então, afastá-la das atividades docentes. No entanto, não tendo como negar a qualidade e a eficácia da Sra. Watson são obrigados a convidá-la para retornar a sua cadeira do Departamento de História da Arte. Para isso são exigidas tais condições, a saber: "Número 1: a senhorita ensinará o programa definido pelo chefe do departamento. Número 2: todos os planos de aula serão submetidos no início do semestre à aprovação e à revisão. Número 3: a senhorita não dispensará conselhos fora da alçada de sua matéria a nenhuma aluna em nenhuma circunstância. E, finalmente, concordará em manter um relacionamento estritamente profissional com todos os membros do corpo docente". Após a leitura do conteúdo da carta, a professora Watson entra em um dilema. Enquanto isso as alunas do Wellesley College, que outrora manifestaram antipatia por sua presença,
agora, fazem festa por sua permanência. No entanto, elas não esperavam para o que estava preste a acontecer. A professora Watson não aceita as regras impostas pela Instituição. Resolve, então, abandonar o cargo de docência por amor as suas próprias convicções que acredita estarem acima de toda e qualquer tradição. E foi, assim, em palavras que a sua aluna Betty Warren, a mesma que outrora manifestou repúdio pelo método da docente, em seu último editorial redigiu o seguinte texto a respeito da Sra. Watson: " (...) Minha professora Katherine Watson, vivia segundo suas convicções e não as comprometeria. Nem pela Wellesley. Dedico este meu último editorial a uma mulher extraordinária que nos serviu de exemplo e nos incentivou a ver o mundo com novos olhos. (...) Ela foi taxada de fracassada por partir (...) Mas nem todas que se desviam carecem de rumo. Especialmente quem procura a verdade além da tradição... além da definição... além da imagem. Eu nuca a esquecerei". O diretor, Mike Newell, com grande destreza e leveza aborda, aqui, questões das mais diversas, a saber: o preconceito, o legalismo, o tradicionalismo, a repressão, a moral, a sexualidade, o feminismo, o marchismo, a liberdade, a educação e etc. A professora Watson, a máxima representação da educadora comprometida com a liberdade e autonomia de suas alunas, é o oposto da tradição da Wellesley College. O filme, O Sorriso de Mona Lisa, mostra como a educação é o meio mais seguro para promover mudanças de caráter emocional e intelectual. Sra. Watson é que nós chamaríamos, aqui, de uma verdadeira discípula socrática. No mais um abraço a todos e espero que gostem. Até...

O Sorriso de Mona Lisa (2002) - Trailer Oficial

6 comentários:

  1. Descobri esse filme sem querer, anos atrás, e me apaixonei.

    Trabalho com educação e concordo plenamente com a força desse projeto.

    Abraços

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  2. Assisti esse filme há mais ou menos uns 6 anos, mas eu era pequena e não entendi muito. Gostaria de revê-lo agora, assim aprecio mais a obra. Gostei da dica.
    Abraços e boa semana pra você <3

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  3. Ah...Maxwell,amei esse filme. Suas sinopses são ma-ra-vi-lho-sas.Me trazem o filme em "3D" :).

    Mostrei a homenagem pro pessoal aqui em casa.Todos adoraram e agradecem.:)
    Bjsss

    ET. Você não fez o teste do poema.

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  4. Adoro esse filme, faz parte da minha coleção de filmes sobre a prática docente.
    Amo lecionar e ver no cinema, histórias tão belas quanto o "O Sorriso de Mona Lisa", "Sociedade dos Poetas Mortos", "Ao mestre, com carinho.", "Escritores da Liberdade", entre outros que eu amo, me dão mais ânimo para continuar lecionando e acreditando que a Educação pode revolucionar nossa sociedade!
    E parabéns pelos artigos, estão muito bons! ;)

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  5. Nossa! Que maravilha, sua perfeita narração deste filme, lindo em todos os sentidos. A bela década de 50 e todo o contexto opressor, especialmente com mulheres e suas vidas praticamente traças desde o nascimento.Adoro as cenas das aulas, o quadro do pollock , pois amo os impressionistas e os modernistas como: Paul Klee e todos os outros.."olhar além da tinta," Sim , esta é a verdadeira educação.
    Já assistir várias vezes, a professora Katherine é sim, uma discípula Socrática!
    Luz
    na

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  6. Oi, Renato. Também tenho um carinho especial por este filme. Um abraço...
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    Vale a pena revê-lo, Iza. E, agora, com olhos mais maduros. Um abraço...
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    Oi, Lau. Fico feliz que tenhas gostado. A respeito da homenagem, amiga. Você é especial. Um abraço...
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    Bela observação, Ana. Você sempre com um olhar diferenciado. "Olhar além da tinta" é um desafio. Um abraço...

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