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segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Sonata de Outono - Um filme de Ingmar Bergman


Indicado ao Oscar de melhor roteiro original e melhor atriz (Ingrid Bergman) e  vencedor do Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro, Sonata de Outono (Höstsonaten, 1978), do diretor sueco Ingmar Bergman, conta a história de Eva (Jornalista e casada com o Pr. Viktor (Halvar Björk)) e sua mãe Charlotte, (Ingrid Bergman) uma musicista reconhecida internacionalmente. Tudo começa com a chegada de Charlotte, após longos anos de grande ausência, para passar uma temporada na casa paroquial onde mora sua filha. Na tentativa de buscar uma aproximação, que nunca houve, com sua mãe, Eva se esforça por querer que algo de bom brote entre elas. Essa tarefa de envolvimento dos laços familiares, entre mãe e filha, parece ser a mais dura condição em que ela se predispõe a realizar. Marcada pela angústia engendrada pela falta de amor materno e traumatizada por crescer sem a atenção devida, Eva passou a desenvolver quadros de crises constantes, provenientes de mudanças repentinas de humor. Carente de tudo, ela busca desesperadamente uma saída para o medo que a aflige e, apesar de todo o sofrimento, vê em sua mãe essa âncora de salvação. Além de Eva há, também, Helena (Lena Nyman) – sua irmã que sofre de uma doença degenerativa e, logo, passa ser por sua mãe, Charlotte, objeto de escárnio. Helena que antes vivia em um asilo passou, agora, a viver com sua irmã para a surpresa de Charlotte. Após haver sido convidada a ver a sua filha,
que há anos não buscava notícias a respeito do seu atual estado clínico, ela disse a Eva: “Não estou disposta a vê-la. Pelo menos hoje, não. (...) Aquele asilo era bom para ela. (...) Venha comigo então. Vamos vê-la. (...) Não tenho outra opção.” E, logo, ao entrar no quarto e vê-la - munida de um sentimento mentiroso e hipócrita, ela diz: “Lena, querida. Eu pensei em você todos os dias. (...) Pensei que ainda tivesse no asilo. Eu ia visitá-la.” E mesmo como expectadora de tudo isso, Eva insiste em admirá-la e, sobretudo, amá-la – como mostra o modo como ela a recebeu com tamanha satisfação, com um quarto, inteiramente, a sua disposição, com o prazer em pôr a mesa esperando-a para as refeições numa tentativa desesperada de agradá-la – até o instante em que não conseguindo mais suportar tamanha indiferença,
este que é o ponto mais alto do filme, desabafou dizendo: “Eu era uma boneca que você brincava quando tinha tempo. (...) Sempre tive medo que você não gostasse da minha aparência. (...) Eu não me atrevia a dizer “não” para não aborrecê-la. (...) Eu não me atrevia ser eu mesma nem quando estava sozinha (...) Será que você já se importou com alguém além de si mesma? (...) Você conseguiu me ferir para o resto da vida assim como você está ferida. (...) As cicatrizes da mãe são passadas para a filha. (...) Será que a infelicidade da filha é o triunfo da mãe? (...) Será que a minha tristeza é a sua satisfação secreta?” No entanto, mesmo depois de toda essa dor e desabafo, Eva não quer guardar para si e, nem tão pouco, reproduzir esse ódio aos seus. Essa atitude é uma descontinuidade do mal que nela foi gerada em sua formação e que quase a levou ao suicídio. O diretor, Ingmar Bergman, neste belíssimo filme e com as atuações brilhantes de Liv Ullmann e Ingrid Bergman, mostra o âmago dos conflitos familiares e, também, nos revela como um mal menor pode tomar proporções inimagináveis caso não seja anulado. Sonata de Outono é um filme para pensar e refletir a respeito da importância da educação e do amor na formação de qualquer indivíduo e de que a busca pela felicidade não depende apenas da participação do outro, mas das minhas próprias escolhas. Foi o que Eva fez. Apesar de tudo, ela escolheu continuar amando a sua mãe.
Em uma carta endereçada a ela, a filha diz: “E existe, sim, um tipo de misericórdia. É a oportunidade de uma poder cuidar da outra... de uma ajudar a outra... de demonstrar carinho. (...) Não vou desistir, mesmo que seja tarde de mais. Não pode ser tarde de mais.” Esse, sim, é o amor levado até as últimas conseqüências. Outro dado importante é presença da música representado por Chopin (1810-1849), Bach ( 1685-1750), Schumann (1810-1856) e Händel (1685-1759) no transcorrer de todo filme. É com o Prelúdio nº 2 de Chopin que Bergman desenvolve uma cena entre Eva e, sua mãe, Charlotte. Momento este em que a filha executa o prelúdio sob os ouvidos e olhares atentos da mãe e, em seguida, esta assume o piano. Portanto, espero que gostem e ate a nossa próxima postagem.

Sonata de Outono (1978) - Trailer Oficial
Prelúdio nº2 de Chopin

5 comentários:

  1. Um dos meus preferidos, tenho em DVD e amo Ingrid Bergman, esse filme algo da vida dela, apesar do Bergman negar.
    Adorei a parte dos diálogos.

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  2. Será que meu ciné[filo]sófo preferido me daria um presente?
    Sou completamente apaixonada pelo filme "E o vento levou..." (não ria!) e meu aniversário tá chegando... vc escreveria um post sobre esse filme?
    Eu iria adorar! ;)

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  3. Esse é um dos Bergmans que me falta assistir. E olha que tenho o filme em casao que torna a falha injustificável.

    Maxwell, tem um selo pra vc lá no Cinema com Pimenta. Abraço!

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  4. O meu Bergman preferido. Para chorar e mesmo assim rever sempre.

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  5. Oi, Ruby. É um dos melhores filme de Bergman. Os diálogos são secos e verdadeiros. É triste saber que isso acontece. Um abraço...
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    Oh, Pricilla. Será um prazer. Você é uma pessoa especial. Vale todo o nosso carinho, aqui. Um abraço...
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    Oi, Fábio. Então veja, irmão. Vale a pena. Você não sabe o que estar perdendo. Um abraço...
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    Esse é fantástico, Gilberto. Sonata é grandioso, mesmo. Um abraço...

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